quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sáfica

Ilustração: Milo Manara

Maldito, só por ti me acaricio
Ao ler devasso verso que me cobre
Me deito nua e infame em tuas odes
E ouço ao pé do ouvido o teu cicio

Tua pena em riste dá-me um arrepio
Percorre o corpo inteiro a tua lira
Me entrego com verdade à tua mentira
De quatro, feito um animal no cio

Arquejo e dou-me à pena que penetra
Em minha flor lasciva e expele o fel
Preciso, nosso crime se perpetra

Tornas-te, ao teu ofício, enfim fiel
Provou mel da palavra e foi poeta
Ordeno que me tires do papel

Por Teresa.

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)