segunda-feira, 28 de março de 2016

Brasedo

A Humberto Paixão, último leitor

Fenecer, ei-lo verbo inelutável
Morosa injunção que a vida imputa
Olhai no escaparate, já sem luta
Jaz o órgão devotado a ser afável

Melúria lastimosa o teu conjuro
Roguei que minha sina fosse tua
Mui pouco há de valer queixar-te à lua
Maldito és teu fadário, ó ser impuro

Quiseras teu olhar junto à lareira
Perene, ameno, morno, complacente
Olvidas que adentro a flama beira

E o lume que lhe apraz não é silente
Ruidoso e hirto silvo a noite inteira
Haurido da palavra à qual tu mentes