quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mentiras sinceras,

Àquela moça que finge que não tem nome...



Pra ser sincero eu queria acreditar somente no teu eu-lírico, fazer de conta que isso tudo é só Literatura e gozar das interpretações que por ventura me proporcionas... mas tua vida é poetizada além dos traços...

Pra ser sincero minha vontade é deitar tua prosa no meu colo e te afagar a nuca enquanto não falo nada... porque eu não sei dizer, só aprendi à cravar meu verso bem fundo no âmago da tua indecência. Pra ser sincero eu tenho fé em ti, ainda que menina enferma que traz nas veias abertas o gosto de todo o ouro e prata de que foi despojada... Se hoje vejo as tuas costas nuas, rememoro com saudade aqueles tempos em que, nativa & selvagem flor, foi rainha e trepava em teu trono com todo e qualquer aborígene num ritual místico que transcende todos os espólios da colonização... rememoro as intimidades espiadas à luz de (cara)velas... o mar revolto que te delineia ao dorso, as primeiras expedições que fiz adentrando em teu ventre que eu julgava ainda virgem... a conquista marcada à ferro, flecha & fogo! Rememoro o remorso de não ter ficado mais tempo ao teu lado, cuidando de ti como um irmão, em vez de te catequizar à força, mandando-te ajoelhar, fazer da tua boca devoção e rezar, gemendo e louvando o meu nome. Pra ser sincero isto me livraria de ter que ir à livraria pra tomar café. E teus pecados de ortografia não se tratam de deriva secular das línguas, crioulização ou transmissão irregular, mas do escrever nua, as coisas cruas, paridas ao vento. Falo do verbo querer! Queres com veemência o meu substantivo, sem pronomes, tributos ou pena.

Pra ser sincero eu não faço mais que simular com denodo a verdade.


"Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo"
Música: Otto

domingo, 7 de novembro de 2010

PÔR na graFIA.


A palavra que escrevo
é o meu próprio algoz
me entrega nas entrelinhas
entrelínguas ao leitor
me sacia os devaneios
e então cobra o seu valor
Pede o dobro só pra ouvir
o que te “falo
e tu não presta
tem
são
Não! Tu nunca prestou!
Assim como a palavra
que se disputa
Santa porfia
simula orgasmos no papel
pra pôr na grafia
nele é vital ser infiel
Pra te ver
declamar
Toda semana
Vestes
O silêncio da palavra
E se diz
Puta
Escrita
Santa
Mulher.