quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Devoção

____
O suprassumo da poesia é colocar o palavrão na boca das moças rezadeiras.



"Quero teu corpo
Espalhado no meu
Devassa
Sem brinco, argola,
Anel ou camafeu
Nada no leito de Orfeu
Só na vitrola"

____________
Música: Maurício Tapajós/ Paulo César Pinheiro

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pra não dizer que não falei das putas...

..."e me tranquei no camarim ,tomei um calmante ,o excitante e um bocado de gim"...


Ah mar,
foi o Amor que o inventou?

Delineia as costas nuas
_________________[da América menina...
sob suas veias abertas escrevo...

Amor é coisa difícil de ver-ba-li-zar
É como tentar uns versos
Depois de muito “prosear”

Sinceramente, eu só sei mentir
_______________[Eis minha condição de poeta,
________________marceneiro da palavra,
o ser que simula o verbo sentir.

Acaso minto casualmente?

Em nome da nossa predileção pelo mar,
Te peço: não peças
para que eu seja
____________[o poeta do amor,
das coisas afáveis.

Sou o poeta das putas
- porque é preciso haver poesia
entre os abrires e fechares de pernas,
porque é preciso haver metalinguagem
para que as coisas não se tornem meras
__________________[vul ga ri da des ...
.
.
.
.
Desenho cedido por Leafar Douglas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mentiras sinceras,

Àquela moça que finge que não tem nome...



Pra ser sincero eu queria acreditar somente no teu eu-lírico, fazer de conta que isso tudo é só Literatura e gozar das interpretações que por ventura me proporcionas... mas tua vida é poetizada além dos traços...

Pra ser sincero minha vontade é deitar tua prosa no meu colo e te afagar a nuca enquanto não falo nada... porque eu não sei dizer, só aprendi à cravar meu verso bem fundo no âmago da tua indecência. Pra ser sincero eu tenho fé em ti, ainda que menina enferma que traz nas veias abertas o gosto de todo o ouro e prata de que foi despojada... Se hoje vejo as tuas costas nuas, rememoro com saudade aqueles tempos em que, nativa & selvagem flor, foi rainha e trepava em teu trono com todo e qualquer aborígene num ritual místico que transcende todos os espólios da colonização... rememoro as intimidades espiadas à luz de (cara)velas... o mar revolto que te delineia ao dorso, as primeiras expedições que fiz adentrando em teu ventre que eu julgava ainda virgem... a conquista marcada à ferro, flecha & fogo! Rememoro o remorso de não ter ficado mais tempo ao teu lado, cuidando de ti como um irmão, em vez de te catequizar à força, mandando-te ajoelhar, fazer da tua boca devoção e rezar, gemendo e louvando o meu nome. Pra ser sincero isto me livraria de ter que ir à livraria pra tomar café. E teus pecados de ortografia não se tratam de deriva secular das línguas, crioulização ou transmissão irregular, mas do escrever nua, as coisas cruas, paridas ao vento. Falo do verbo querer! Queres com veemência o meu substantivo, sem pronomes, tributos ou pena.

Pra ser sincero eu não faço mais que simular com denodo a verdade.


"Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo"
Música: Otto

domingo, 7 de novembro de 2010

PÔR na graFIA.


A palavra que escrevo
é o meu próprio algoz
me entrega nas entrelinhas
entrelínguas ao leitor
me sacia os devaneios
e então cobra o seu valor
Pede o dobro só pra ouvir
o que te “falo
e tu não presta
tem
são
Não! Tu nunca prestou!
Assim como a palavra
que se disputa
Santa porfia
simula orgasmos no papel
pra pôr na grafia
nele é vital ser infiel
Pra te ver
declamar
Toda semana
Vestes
O silêncio da palavra
E se diz
Puta
Escrita
Santa
Mulher.

sábado, 23 de outubro de 2010

Cortejo

Ao teu mundo.
..."tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento"...

À despeito da literaturidade do que é lido sempre é suscitado um tanto de ceticismo... culpa da maldita teoria literária que se propõe analisar toda construção estética como trabalho da linguagem subjugando a mimesis daí proveniente... culpa daqueles malditos eruditos gregos da antiguidade, culpa desses pretensos críticos literários pós-modernos e, neste caso específico, culpa daqueles formalistas russos que enchiam a cara de vodca e lançavam-se a despojar os escritos alheios. Acho que é disso mesmo que eu precisava: um pedido de casamento inesperado, uma fotografia em preto e branco e chegar em casa embriagado em alta madrugada...

Baby, não se precipite, aprendi que literatura é fingimento, cá estou eu a fingir que finjo... "simulacro de efeito estético", despojo dos recursos de semiótica e blá, blá, blá... o teu nome vira pretexto para as minhas entrelinhas, folhas de outono caem nos "espaços do contratempo" e rima a concupiscência outra quimera calcinada.

Dado que nem falei nos deleites que a hermenêutica me permite gozar, neste meu ópio de fingir faço de conta que escreves só pra mim e me sinto único leitor em teu mundo. Tudo bem, eu sei que não é bem assim, sei que tens leitores mais assíduos do que eu, daqueles que vem, não comentam nada sequer, não seguem, mas sempre voltam, espreitos como quem está a fazer algo proibido e se encontram nas tuas linhas, fazem interpretações não demasiado literárias pois sabem que vivem nelas muito mais do que eu. É fogo fátuo que prefiro não acreditar nisso, realidade demais sufoca a poesia, então discorro solitário nos teus versos, passo as mãos nas tuas rimas e vejo elas eriçarem-se pra sentir o que trago em minhas páginas ainda brancas, prefacio a tua prosa bem devagarzinho e depreendo com saliva ao final de cada linha em um movimento concêntrico que irá nos levar à catarsis! Ao final fumamos juntos o cigarro da saudade e declamamos Pessoa, Quintana e Bandeira um pro outro, te vejo dar uma gargalhada de que tudo isso não aconteceu e acho teu sorriso ainda mais bonito. Tu pára o carro na mesma esquina em que me encontrou, nos despedimos com um beijo na testa, teu destino é o litoral enquanto eu espero outro farol ao longe que reduza a marcha, e, ainda parando, uma voz que me chama na janela e pergunta o preço.



♫♪
"Por entre flores e estrelas
Você usa uma delas como brinco

Pendurada na orelha
Astronauta da saudade
Com a boca toda vermelha
Lágrimas negras caem, saem, dóem
São como pedras de moinhos
Que moem, roem, moem
E você baby vai, vem, vai
E você baby vem, vai, vem
Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem"
♫♪


Foto: Nielle
Texto: Julio Beckovski
Música: Jorge Mautner

sábado, 4 de setembro de 2010

Conto

"Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei se o que eu vou contar é conto ou não, sei que é verdade" (Mário de Andrade)


Embora prefacie os dias sempre ao leste, a aurora tem como pano de fundo personagens diversos. Reverberam os primazes raios de sol naquela estrada ao norte enquanto abrem-se olhos fatigados. A cachaça que afoga as mágoas e afaga as chagas, desconsiderando-se a perspectiva diacrônica, conserva mais inocência que os quinze segundos de transcendência procurados num hai cai.
Não escrevia há meses, valia-se das velhas prosas poéticas e versos descabidos de outrora. Comumente se flagravam os versos alheios que a mão sorrateira levava ao bolso. Vivia das aspas roubadas. Mas as palavras, por si só, tinham o abandonado.
Era um fato do qual não podia queixar-se, denunciado pelo próprio sufixo. Oh, pobre homem! Como se nota não poderia acreditar em inspiração, nem mesmo as que lhe tomam de assalto a janela... Quintana, Pessoa, Drummond, Bandeira ou de Barros, todos vis, torpes escarros, já de nada mais lhe serviam. A chuva de Maiakovski não mais lhe afagava a face. Necessitava qualquer pretexto para trajar aquela forma estética. Tampouco queria ser lido, fingia que não queria.
Ah, as palavras, doces putas de outrora! Cobram em demasia seus honorários. Há que ser hábil, combinar o preço antes de consumar o fato e retardar o gozo até a última linha, então clímax, orgasmo lírico, ápice, rima, ponto final. Fingimento outra vez, simulacro. Se bem soubessem os poetas acabariam seus textos com vírgulas.
Se bem soubessem as vírgulas não se prosternariam aos poetas. Há que ser hábil e cobrar antes de consumar o fato, só então precipitar o gozo. Fingimento outra vez. Corro o risco de parecer prosaico, mas os melhores poemas são aqueles que se escreve com a pena em riste.
Sem reminiscências, a despeito deste bordel semântico, o que te falo é conto. Destarte há que se justificar o proscênio.
Pois bem, deixe que eu vos apresente nosso desditoso herói, réu confesso. Chama-se J. Beckovski e matou a poesia. Vate, antes por diletantismo que por formação cultural, integrou um esquema de corrupção de palavras, aquilo que os linguístas chamariam uma desconformidade entre significantes e significados. Alega em legítima defesa que no início de tudo era o verbo, vocábulos em santa porfia!
Eis o que a escrita faz com as pessoas. Em uma espécie de esquizofrenia voluntária, um artifício urdido para fugir da loucura real, criou heterônimos que se fizeram existir para além dele, rimando mesmo na ausência de vogais e transcendendo a "literaturidade" do suposto criador. Tão cético era Beckovski que duvidou da própria existência, em um plano mimético onde criador e criatura se confundem e tudo finge que acaba em monólogos à beira mar. De fato o próprio Beckovski se fez pseudônimo de alguém por ele lido e desnudado em variações hermenêuticas que lhes dissimulam ainda hoje. Há também aqueles heterônimos lidos por ninguém, cuja periculosidade se revela em um sentido extra moral. Dizem as más línguas que tenham escrito para a posteridade.
O horizonte contemporâneo é uma arte abstrata esculpido em concreto, o que obriga o relógio sem ponteiros a prostrar-se mais cedo para desposar o oriente ainda letárgico. A Dama de Branco se ergue sacrílega a puxar seu manto negro, grávida da eternidade. Tem os pelos pubianos eriçados, pois bebeu um chá conradiano em oferenda a Baco. É o crepúsculo e as possibilidades de interpretação que ele anuncia. Submeter a obra ao crivo da mais severa crítica denota respeito e muitas vezes simular com denodo a verdade se faz mais necessário que qualquer benevolência pusilânime.
_"Nada mais sou que um método catártico usado em vossas vidas por aquilo em que não creio. Procrastinar-me-ei na própria cor vadia, demasiado humano!" así habló Beckovski.

"se não tivermos uma idéia viva do que é o conto, teremos perdido tempo, porque um conto, em última análise, se move nesse plano do homem onde a vida e a expressão escrita dessa vida travam uma batalha fraternal, se me for permitido o termo; e o resultado dessa batalha é o próprio conto, uma síntese viva ao mesmo tempo que uma vida sintetizada, algo assim como um tremor de água dentro de um cristal, uma fugacidade numa permanência." (Julio Cortázar)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Desertor


"Se não fosse por esta terra
e por nela conter minha amada
não me entregaria a luxúria e armada
de deixar que me pusessem em guerra
Certa vez vi
em algum lugar que os franceses preferem amor
e muitos soldadados de outros países zombavam assim!
Hoje, por qualquer motivo,
com qualquer arma, por ser cativo digo!
Defenderia a França mesmo não sendo esta minha pátria,
para que sobre sempre amantes
para que eles ensinem mais sobre as dores das batalhas
e sobre as dores do amor! "

(Leafar Douglas)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

DE LEIToR! (Grupal)

"Sou um menino que vê o amor, pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico." - Nelson Rodrigues
(...no fim das contas a gente faz de conta ser um auto-plágio demasiado malfadado... a ausência é uma auto-crítica/respeito por si próprio... i Maldita sea la Teoría ! )

terça-feira, 27 de julho de 2010

O des(A)tino de Ana

(à Analuz)

"Ana está sentada à janela da vida
vendo o vento do tempo soprar... "
Ana está sentada à janela da vida
vendo o tempo soprar seus inVentos...
Poetas passam
e traçam
traços,
fugidios desembaraços;
Versos são lidos
lambidos
li(bi)dos...
interpretados ou sentidos;
E a poesia fica
(signi)fica
(digni)fica...
entre versos nos rubrica;
Se Ana visse o mundo
sob o prisma deste poeta vil
veria toda semana
iriar sob um fundo anil
a própria
LUZ de ANA!

sábado, 24 de julho de 2010

PÔR na graFIA (Grupal)

"É hora de se embriagar! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha." assim disse Baudelaire.
E como bem fingem acreditar os poucos leitores que tenho, minha poesia é um bordel semântico. Enfim chegaste meu dia de servir o cálice neste Grupal de Bacantes. Eis ali meus singelos ditirambos à Dionísio. Entrem, comam, bebam, enfim embriaguem-se. 'SintaXe' à vontade!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eu sou a Loucura


"Eu sou a Loucura mãe da Revolução, quando nasci não interessa, pois não é para isso que vim. Conheço e condeno todas as forças que lutam contra mim. Sou o elo que liga os homens aos outros deuses. Sou a incentivadora de todos os ideais. Sou o retrato da coragem! Ao contrário da Razão-Equilibrio que é uma senhora derrubada e medrosa. Sou poderosa e estou em tudo e em todos. Sei fascinar sem precisar usar esta casca que me reveste. Sou pura, boa e completa. Sou dona da liberdade, sou sua amante... Não sou a favor do termo esquizofrenia usado para taxar alguns dos meus queridos filhos pois não vejo democracia no uso de tal!...Quando me sinto ofendida, uso minha máquina de ilusões para criar a guerra e também o pesadelo. Acusam-me de ser egocêntrica, e sou! O mundo deve caber na minha mão e não o contrário!... Essa é uma das lições sagradas que passo aos meus queridos filhos e neófitos. Não sou atriz, não sou a favor da mentira. Minha vida extrema é uma realidade!... Sou a ascensão do juízo e não sua falta!... Sou a inspiração do poeta e do artista. Sou bandida e mocinha, sou o quê quero ser!... Sou a voz da surrealidade pintada por Dalí. Sou a única que possui o direito de se contradizer. Sou a modelo que veste o manto de apresentação de Artur Bispo do Rosário... Sou a produtora de todos os filmes rodados e não rodados. Sou aquela que atormenta Hamlet. Sou o espírito livre adorado por Nietzsche, por tanto, não pensem e nem tentem me prender! São tolos aqueles que pensam que podem me controlar, drogam a matéria que me guarda com Diasepam e Gardenal, seus efeitos não duram muito, e logo acordo o corpo que agora está numa ressaca dos diabos! Nós, prontos para dar a cara à tapa outra vez e zombar daqueles que nos querem tanto mal. Eu fui à companheira fiel do Raul, Hendrix, Curt e Janis. Eu fui e ainda sou uma popstar!... Sou uma deusa e o meu lar é todo o universo... Ganhei liberdade para falar graças ao meu filho Erasmo, que dedicou muito da sua energia para lubrificar minhas cordas vocais, afim de quê o meu canto narcisista prossiga. A minha vitalidade; meus sentimentos honestos; meus instintos; a minha simplicidade – (ao meu modo e conceito), são expressões que deveriam ser adoradas como símbolos sagrados!... Adoram a Cristo, um dos meus neófitos mais fiéis, porque não me adoram também? Devem acima de tudo e de todos me adorarem!... Nobre filho Conrado, invista mais na projeção de sua voz pois a nossa verdade necessita da sua energia para ganhar, os horizontes da consciência deste povo que sempre busca nos ignorar, mesmo sabendo que dentro deles corre o nosso DNA."


*Nota do interloucutor: Poucas vezes abro aspas aqui, mas seria pouca loucura deixar de compartilhar com vocês este texto insano e brilhante do meu amigo, poeta, artista plástico e maluco Carlos Conrado em seu livro "O Aeronauta Entre a Razão e a Loucura." Para conhecer mais do trabalho deste artista clique no nome.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

domingo, 20 de junho de 2010

Considerações sobre relacionamentos:

acabar
dói,
pois
leva
ponto.
prosseguir
dói
3x + = te ver mais!

se
não
entendeu
de
pois
te
do
(is)
pontos
de
fuga:

afinal
tudo
finda
n'algum
ou outro
ponto
(de vista)

sábado, 19 de junho de 2010

Aqui Jazz...


Homens?

Estes se vão...

O que fica para além deles

para além deles são as palavras...

Afinal, somos nada mais
que isso mesmo,
homens que se perpetuam em letras...
Somos isso tudo.

...

..

.

E o que acontecerá no mundo

enquanto os livros estão

fechados ?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hoje não tem poesia.

Estou escrevendo aqui sem rascunho. Tive tempo hoje, então estava eu a preparar nova postagem d'alguma poesia tosca, ou algo que pretenda ser, quando fui informado: se foi Saramago.
Nunca abri aqui espaço para aspas, nem mesmo as roubadas, mas o faço hoje, como singela homenagem e respeito imenso e outra coisa inexprimível que estou sentindo (me sinto tolo ou egoísta de me reservar o direito de ter saudade de alguém que não conheço)... mas como nos disse o bom português:
"há coisas que nunca se poderão explicar por palavras".

Me fizeste cego e lúcido, me enganaste e disseste a verdade que eu sentia sem entender bem, me contou debaixo d'árvore sobre a bagagem do viajante que enfim carregas. E me disseste:

_"Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos."

Chegaste a tua...enfim,

Sara_Mago!

Quero ver-te sorrindo, como quem caçoa da gente com este olhar tão meigo!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Entre dedos...


Antes o diálogo.


__ Dias frios para alegrar a vida...


__ e enternecer o coração... ( supõe-se que seja ele o responsável pelo inteligível ato de sentir que nos faz tão loquazes!)...


Depois silêncio...


e dois sorrisos distraídos.


Amizade, ou paixão sem incesto, ou qualquer coisa desmedida que cabe num abraço e se reproduz em dois olhares complacentes com as mazelas deste mundo... acho que é isso mesmo!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Confissão


A chuva vem de lá
E não se explica
O sol parado está
E é cor vadia
O vento inventa
E acorda a gente
O poeta pena
E ninguém entende
O passatempo do tempo é a cura
E vice & versa
O riso da razão é loucura
Tu vice o verso
E se prestou os verbos direito
Adentrou em mim
Se pediu um espaço espesso
Estou aqui
Sem preSsa
Nem cabimenSo
Com tempo
E torticências
...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Poeta

No começo era a palavra que se disputa... Veja bem, ela é que se disse primeiro, não fui eu. Eu sou, há penas, o poeta. O que faço é fabular...
Tu, moça bonita, que se imaginou comigo na infância (e por isso me conhece bem), bem sabe o quão se faz árdua a minha intelecção. Este mundo é coercitivo, o que me obriga à despojar dos recursos de semiótica para dissimular...
Para ser um bom poeta tem que ter algo de mau. É fingir ser você mesmo e usar nomes alheios simplesmente porque rimam. Para ser um bom poeta, não precisa se explicar.
Ao poema, não resta ser nada além de um arquétipo do desejo em meus devaneios concupiscentes, ficar ali, estereotipado no papel como quem clama por qualquer vã interpretação. Então vem o leitor e o liberta:
_Vai, poema teimoso, ser gauche
na vida!
E mesmo que meu corpo pertença à uma só mulher, meus vocábulos voluptuosos discorrerão nas bocas de homens e mulheres alheios...
Pois bem, andam dizendo por aí que sou poeta. Então, vou sibilando, fingindo ser isso mesmo e me iludindo com o que dizem os outros que iludi primeiro... ao tempo em que 'giro nas calhas de roda à entreter a razão' faço das sublimações dizeres não demasiado sibilinos para olhares mais vorazes... e das aliterações crio orgasmos fugidios nos poemas constantemente inacabados...
Se chego em casa tarde, minha mulher nem reclama mais ao constatar minhas mãos calejadas pela pena, um odor ébrio em minha boca ou alguma marca escarlate das entrelinhas na gola da camisa. Já deduz onde estive.
Escrevo pra não fumar. Escrevo porque não sei dançar...nem dizer. Escrevo como quem afaga um corpo no papel... já nem sei mais que relações promíscuas estabeleço com as palavras, são todas minhas amantes, minhas putas.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dígitos

_
Desculpe
Se te escrevo
Palavras lidas
Que tenho
a ingênua
Pretensão

De que sejam
P
R
O
F
U
N
D
A
S
Neste espaço
Tão raso
E esdrúxulo
.
.
.
Embora escreva mal
Ainda
Assim escrevo

melhor
do que falo

(e não tenho
Dinheiro
Pra falar
T
A
N
T
O
!)
Estou perd
_ido!_
oado?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vícios de Linguagem


O vício do poeta é o verso:
o parto da palavra cálida,
o do verso é a rima:
a revolta da pena,
antes pálida
e alienada pela rotina,
doravante ébria
e desvirtuada
sinestesia da retina,
em único verso
apenas
a pena
pensa !
_______ Aliteração conveniente ou reflexão do universo ?

sábado, 15 de maio de 2010

Poetas Mal.ditos

Acendo um ___________________________verso
entre um e outro cigarro que_______________vendo...
Esqueço a ____________________________rima
entre um e outro conhaque que______________sirvo...
Compro______________________________dinheiro
entre um e outro sentimento que____________sorvo... Ontem já ia alto em meus devaneios, quase privado dos meus sentidos já tão tênues, que só o tato é que me faz ainda humano...já ia louco, quase santo...sinto muito,mas eu sinto tanto...
...gosto de dizer que não tinha gosto,pois nem se o olfato aprendesse a lamber, qualquer sinestesia seria vã...tão vã quanto meus devaneios...uma cabeça tola à pensar o mundo(como se ele coubesse nela)...
e o mundo nem desconfiava que estava sendo pensado, continuava passando displicentemente ao redor...ridículo, mas somente eu sabia que estava sendo.

_Será que existe algo além dos solilóquios?

_Talvez algum olho menos piogênico, mas de igual modo laivo...

_ Quem será o portador do medo que guarda do outro: o Ser ou o Devir?

_Queria estar alheio à tudo isto...queria não ser!

Às vezes me sinto como um velho recostado na janela à desdenhar do mundo...porém, na maioria delas quem fica na janela é o mundo. Sei bem enternecer o coração quando é preciso...hoje não há de ser preciso... não vejo precisão em nada.
Procrastinar-me-ei na própria covardia, relembrando minhas maldades, minhas saudades insondáveis, sobretudo minhas maldades, para que haja algum sentido de justiça nisso tudo...antes que eu perca os sentidos...
Toda justiça deste mundo eu barganharia com a morte...
mas o medo da MORTE continua VIVO, é cor vadia!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

Poema Inacabado

Leitor,
favor de mim nada esperar:
Eu não vou rimar o ar com o mar,
não quero a rima vulgar!
Estou cansado destes verbos já tão gastos:
falar, pensar, chorar, amar...
NÃO! Eu não vou rimar!
eu não vou rimar saudade com vontade, tesão com coração...
como nestas cansativas canções no rádio
à distrair a cidade e o cidadão,
onde a seguinte estrofe é sempre presumível,
Senso comum de rima em mim não é cabível !
Eu quero a Aliteração : orgasmo consonantal,
Um neologismo inesperado declamado em [red]cor.vadia
por uma boca esguia em uma estrofe inacabada,
Da retina eu quero a sinestesia,
orgia textual,poesia na madrugada!
Eu gosto do que ninguém entende
e o que todo mundo deduz,
Poeta é o que te seduz
e não o que tu compreendes !

(...)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Hieróglifos

[ne
grito]
[ver
me
(o)lho]
con
cre
tu
des
vi
ci(o)
ssi
tu
(or)
di
ria
s...
[hispânico]
_diz_cor
d_ânsia
ver
bal
-não necessariamAnte!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ver S.O.S.


TEM
SÃO
:

LOU(não tem)CURA
.
.
.
verS.O.S não tem
.
.
.
cabIMENSO
na gaveta
(rima a concupiscência
outra quimera
cal
ci
nada

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Chuva.

A chuva vem de
Is
so é tudo o que
sei
sobre a chuva
Ela chega mais molhada
quando vem de longe
Me leva mais longe
quando vem molhada
Ela sua
mas não é minha
Ela é de ninguém
mas sempre vem
de lá
pra cá
Se ela cai
é o meu caos!

[Poema de E. E. Cummings, musicado por Zeca Baleiro]

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fragmento de uma análise literária

(...) Outras vezes, afastando-se dessa concepção pueril, o poeta é o aliciador da palavra. Por isso todas as palavras convêm ao poeta, e ele rimará qual quiser. Usando uma metáfora vulgar, poderíamos dizer que o poeta é um cáften das palavras. E ele bem sabe que na verdade o aliciado foi ele, pois nessa permutação não há dependência mútua, pois para as palavras há outros cáftens por aí, e ao poeta, se quiser viver sem elas, cabe aprender outro idioma (mesmo assim de nada adiantaria, pois seriam como as mesmas meretrizes em outras vestimentas).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Da Descoberta do Amor



a descoberta do amor,meu bem
o amor é zen
o amor é desnudado
de paredes e telhados
o amor é o gozo dos amados
a vida é um paraíso pervertido
guarde tuas roupas
em meio aos meus livros
o amor são os animais felizes
enquanto a gente se ama
o amor é água em chamas
tu me chamas
e da mãe terra eu venho
das raízes
e dos animais felizes
ao céu
ao vento
o amor é alento
em todas as idades
o amor
ao tempo
subvertendo a sociedade
mora aonde o amor ?
o amor é de rua,
é do pensamento
fala com todo mundo
o amor tem três sexos
e nenhum documento

domingo, 11 de abril de 2010

Tic...Tum...Tac...Dum...

Um homem tem na vida que decidir entre dois pêndulos:


ou segue o relógio ,


ou escuta o coração.

Divagando...Divagando...

Desconfio que seja uma vã tentativa constantemente inacabada de homogeneização de conceitos que não existem, concomitante a transcendência de um quotidiano entorpecente e voraz, assim sente o coração ( ou desconfia que faça algo além de bater, bater, bater...)
E o que há de se dizer do deleite com situações tão opostas? De primícias taciturnas, onde a felicidade geral faz mal ao coração tão cético do observador..._ele observa a si mesmo, impelido para dentro de si, no vazio tão cheio de vazio da alma, carente de felicidade geral e tão supérflua para ele _Somente são belas as diferenças de percepção entre os homens se analisarmos cada qual imerso no próprio vácuo- pensa o coração (ou desconfia que faça algo além de sentir, sentir, sentir...)
Mas mesmo quem o conhece pressupõe que a transfiguração foi vitimada por qualquer felonia química tanto desejada! Contudo é impossível trair os princípios quando eles nem sequer existem._Somente existem sensações, assim desconfia o coração do observador, e que elas se transmutam.
E na sobriedade crepuscular já se ri das frivolidades que achava tão nocivas, mas não por pusilanimidade, tampouco por condescendência, mas por ingenuidade pura e pueril, aquilo em que ninguém acredita mais!
Melhor nada dizer,
apenas contemplar
este caos dentro de mim...
Pois só se é Feliz
mesmo
Quando ninguém o entende !

domingo, 4 de abril de 2010

(A Janela- parte I ) Se eu te inspirar...

Te esperei. Voraz,sedento,inquieto. Recostado na janela,fingindo calma...à muito meu café esfriou,mas permaneci. Às vezes tinha a impressão que te avistava a silhueta ao longe,depois do horizonte,muito além das seis... Era madrugada,eu ruminava os versos junto ao café que eu ainda fingia haver ali. Somente estava eu,minhas reticências...minhas interrogações???meus pontos,sempre no plural,pois não te findo. Eu te virgulo,Eu te virgulo,Eu te virgulo... Eu quero o verbo:Virgular-te-ei,assim,com cor vadia!
Tinha muita coisa ainda pra te escrever, sempre me aproveitei de ti que lê! Coisas tipo um sorriso de criança que dissipa toda filosofia, fazendo a alegria dos brandos de coração e o temor dos céticos. Coisas tipo um cara que largou tudo e virou tu sabe o que, algumas poesias em papel de cigarro, coisas que poderiam virar livro antes que a loucura proporcionasse um fim terminal num hospício. Devaneios que não pousei no papel.
Amanheceu. Eu ainda privado de subsídios de cultura que de ti provêm. A porta ali,aberta,esperando a inspiração. Inútil! Desde que te conheci que tu vens pela janela... A lenha na lareira,displicentemente à espera do fogo. A beira à espera da outra já beirava o medo.
(...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

É Só Poesia!

Poesia não se escreve,
se cospe;
Poesia não se lê,
se bebe;
Poesia não se ouve,
se ausculta;
Poesia não tem lógica,
tem mágica;
Poesia não se explica,
se sente;
Poesia não se senta,
70 ou se deita;
Poesia não se copia nem se traduz,
se cruza e se reproduz;
Poesia não se acaba,
se perde;
Poesia não é o que faço,
sou eu
...
Poesia não cabe nesta página de vidro que você pretensamente lê;
Eu não caibo,
saio, me esvaio...
risco, me arrisco...
não me acabo, somente me perco...

Você?
Ah, você me cospe, me bebe, me ausculta, me magica, me sente, me tenta e me deita,me cruza e me perde (sem me reproduzir),
mas não me lê (nem me entende),
Você também é uma vã tentativa
(mas também é só um advérbio,um significado insignificante)
também eu sou
(_RISOS!)

poEUsia?


terça-feira, 30 de março de 2010

Jovens.


Uma terça-feira à tarde,
Sol na praça,
Cachaça,
Violão,
Aula de matemática assassinada
E o culpado é meu coração,
Não pedi pro mundo ser assim,
Com "mim"
não vou rimar,
Não quero estudar,
A prova eu vou fazer,
Tu vais me reprovar,
Por um Brasil um pouco mais
“descente”
Mas geometria não cura
A dor de dente
Da população !

SENSO inCOMUNicável.


LEIO-TE
TRAGO-TE
BEBO-TE
e mesmo assim PERMANEÇO
sendo senso comum
SENDO SENSO COMUM
sendo senso comum...
ACENDO UM INCENSO INCOMUM
e meu sarcasmo me salva!

Uns tragos.

"Palavras embrulham os teus cigarros
Você os vende
E eu as trago.

Inspiro-as
Expiro-me
Trazendo-te
Para mim

Trago...
Trago-te
Trago...

Vícios em mim
Para-ti
É sem fim.
"

[Ivana Rodsi]

segunda-feira, 29 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Ao leitor(a)!


Às vezes rimar não basta... outras tantas não basta deixar de rimar.
Lia. Relia. Lia com veemência, relia contrariando a fugacidade dos próprios aspectos cognitivos que não lhe concediam o saber. Mal sabia que o suprassumo era sentir. Repentinamente se desconfiou metaforizado no texto. Num primeiro momento com sutileza, mas após algumas poucas páginas se encontrava perdido. Já não tinha mais a convicção de ser leitor (o ser que lia e relia). Tentou encerrar a leitura, mas não haviam pontos à vista, nem à curto prazo. Somente umas reticências que não lhe diminuíam a aflição. Aqui e acolá alguma vírgula lhe suscitava uma breve, mas vital tomada de fôlego. Tinha indagações, mas não havia tempo para respondê-las. Perguntava-se por quem havia sido escrito. Tinha medo do posfácio (seria o fim de tudo? Ou haveria uma sobrevida na contracapa?). Atordoado, tentou levantar-se e derrubou o acento. Cometeu um grave erro ortográfico e sentiu-se culpado. Depois se eximiu da culpa, pois deveria ela pertencer ao ser que o escreveu. Ao pensar assim sentiu-se lido por outrem. Sua privacidade fora violada. Sentiu nas páginas, cálidas, uns dedos pesados que afagavam-lhe as letras. Uma saliva alheia lhe umedecia as extremidades a cada folheamento. Abria-se e fechava-se, e a cada intersecção era devorado por olhos vorazes. Procurou nas entrelinhas uma explicação, mas nada encontrou. Então olhou para fora de si e perguntou: QUE FAZ AQUI ?