segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eutanásia

A Rafael de Oliveira, Poeta do Corpo
Teus versos síncronos
Horizontalmente calculados
Como se, num mesmo poente,
Cessassem em fileira lado a lado

E olhassem-nos, cúmplices
Pelo derradeiro desejo atendido
Das veias pela pena injetadas
E o alívio semântico prometido

Têm destarte no soneto o seu jazigo
Que a demência os receba em seu abrigo
Que o húmus absorva-os com clemência

Que a verdade da poesia os devore
E sobre o epitáfio, inconformada, a prosa chore
“Sois versos, fazeis da assonância vossa ciência”

2 comentários:

  1. Não sei, em verdade, se posso ceder ao meu ego o prazer de deleitar-se diante de tamanha profundidade semântica uma vez que não a mim, mas aos meus versos, estes versos elogiam. Recolho-me a ollhar dum canto a minha poesia e a sua entreolhando-se regojizadas pelo prazer poético que lhes compete e do qual somos servos e não senhores...

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  2. "E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm."

    Fernando Pessoa

    Ana

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)