sábado, 7 de junho de 2014

Angelus

Ao poeta Rafael de Oliveira

Chuvosa, se espargindo a tarde fora
No colo do arquiteto intangível
E o sino badalando com modorra
Prenúncio da hora sacra fez-se crível

Descrida, entre mãos criadoras, a brasa ardia
Ei-los malditos e condenados seres
Dividindo, mais que o fumo, seus viveres
Inebriante além do vinho és poesia

E o regente capcioso do universo
Ao contemplar o ébrio duo sob os vitrais
 Que erigia sob prosa e sob verso

A mais vasta dentre todas catedrais 
Das paredes libertou-se tergiverso
Et habitavit in nobis

Um comentário:

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)