domingo, 18 de março de 2012

Ah mar

“Tudo somado, devias
Precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.”
Drummond
Fotografia: Nielle Trindade

Porque eu
que nem sei nadar
estas águas
ando sempre a contemplar?

Qual o motivo
destas naus perdidas em mim,
Qual o sentido
destas gáveas e mastros sem fim?

Diz-me o porquê
dessas rotas que me traçam...
Logo eu que não faço mapas,
que os entrego às traças.

E nos meus pulmões sopram velas,
e o meu peito se fez proa,
e no meu casco dizeres,
manuscritos, haicais...
E no meu leito, cais... 
Sereias caem.

E dos meus braços lançam redes...
E os meus pés tocam náufragos...
Onde a foz destes rios oníricos?
Que detritos levam?
Velam qual lirismo?

Deve ser porque o mar
também não sabe nadar...
e por isso fica
dum lado ao outro a oscular
as beiras,
sem saber na qual deitar.

Há tanta coisa ainda pra escrever...
Há mar
Mas você me navegou
mares tão profundos
e eu fiquei sem rumo
e eu fiquei sem chão.

*Por sugestão de Nana Rodrigues, que ao ler minhas prosas, o faz em versos, pois em versos é que se dispõe a sua alma.

4 comentários:

  1. Os versos que trilham essa falta de rumo
    navegam sempre no nosso mar!

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  2. Foto Roubada? cadê os créditos,
    Poeta?

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)