quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Virginal


Arte por Yuri Krotov

Airosa, a bela dama inda mui jovem
Deixou-se desnudar pro meu encanto
Mirei seu torso níveo e sacrossanto
Um Éden sem Adão, que os anjos provem!

Piedosos, despojados de seu manto
Seus braços feito bênçãos me envolvem
Ungidos nossos corpos se revolvem
Lançando ao meu vigor logo um quebranto

Seu pomo, ainda verde e vicejante
Palpita sob o órgão exaurido
Neófito ao prazer, sumo do mundo

Gemeu consoante o seu fiel amante
Vogais abertas, gozo consentido
Agora é musa vil de um vagabundo

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)