sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mercado


Palavras no balcão e na vitrina
Comércio putrefato deste artigo
De luxo ou popular, jaz sem perigo
Alegra a superfície da latrina

Poetas sem pesar, num fausto abrigo
Permutam bons aplausos por propina
Gracejam, pavoneiam-se na esquina
E brincam de imitar algum mendigo

No fim tomam seus carros, vão embora
Fazer os comerciais da brincadeira
Quem sabe até estampem a revista

E a rua com seus males sempre fora
daqueles que não têm eira nem beira
Desprezo à burguesia oportunista!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Rapsoda


Arte por: Brent Lynch

Tu que cantas torto pela madrugada
Mia pobre amiga que tens um amor
Levais no peito este canto de dor
Que alumbra a noite, triste namorada

Amais um bardo, quanto dissabor
Não tens fortuna, és amargurada
Tu quando cantas, não quero mais nada
Basta-me ouvir-te, seja onde for

Teu canto é zelo, enobrece a alma
Se hoje é mouco, alguém há de ouvir
Além dos bares desta rua calma

 Quão venturoso, temos de convir
Sozinho escuto, sem outra vivalma
Teu canto ermo, cousa do porvir