segunda-feira, 9 de julho de 2018

Vergel II


Arte por: Delphine Cauly (1981)

Musa e “Dona das divinas tetas”
Atiça em mim as horas de vigília
Noturna fuga ao seio da família
Fuga diurna ao coro dos caretas

Eu, sempre alucinado por bocetas
Hoje tenho uma por Musa, à revelia
Na parede do cenário onde relia
Os maus versos que fizera à sua greta

Não gozo, enfermo, pois ela delira
Só para olhá-la enquanto não atua
Momento raro, após ela se vira

Me olha, encena, e embora ainda nua
Já veste a máscara cênica que inspira
meus versos: doidos cães à luz da lua!

Vergel I

Arte por: Delphine Cauly (1981)

Vivaz poesia, arrepio d'um beijo insano
Aflora a carne, enrijece as doidas luas
Letargos pomos, vis auréolas, são duas
Furtam-me os versos dum poema leviano

Lúbrico dorso das palavras que tatuas
em tua derme, que com devoção profano
Dispo o pomar, oh musa do meu afano
Deitas na alcova, com afã te prostituas

Já vens molhada das palavras que enaltece
Deslize, orgia, tantas mais que são voragem
E da roupagem do vergel se desvanece

Desnuda inteira, tuas mãos na mia cor agem
Ruborizando o meu corpo que padece
Tiram do falo um rigor cruel, selvagem