sábado, 20 de janeiro de 2018

Maldito

por Humberto Paixão

Poeta dos piores, não menos o seu abismo
Trabalha embebido em cachaça
Na letargia ingrata da trapaça
Das palavras operando seu cinismo

O cigarro aceso e sobre a mesa
Seu poema que arde de vingança
Sobre o maléfico labor sem esperança
Para ter em casa uma luz acesa

De noite um criador de mundos
Como os gatos, nobres vagabundos
Na chuva fria da madrugada


Toma no cio o palco dos menestréis
De dia o delírio em pilhas de papéis
À noite os versos da carne maltratada

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)