Dispõe no chão, o bardo, seus anseios
Em meio aos pés que passam distraídos
A fome lhe distrai dos vis zunidos
Tecendo o burburinho rua ao meio
A margem: limiar ruidoso e vivo
Se vive só o devir, não há receio
O tempo há de remir, finjo que creio
Mais fácil alguém pisar que ler um livro
Dos fios um’ave quieta me contempla
Bem sabe o quão liberto é andar sem rumo
Seu canto mouco e ermo me acalenta
No caos su’alma ausculta e dita o prumo
Saber lidar co’a vida se é frienta
Mergulho em meu soneto, o bebo e fumo

