sábado, 20 de janeiro de 2018

Infausto

Para Humberto Paixão, tão afeito aos infortúnios.

Pior que eu, poeta és tu, e perduras
Atento às palavras sem reserva
Gostas de cachaça e boa erva
Fazes teus poemas sem mesura

Tu, Humberto, é vil, nem me preservas
Rouba-me as palavras já maduras
E elas, que aleivosas criaturas!
Deitam-se à tua pena, feito servas

Pobre e infausto andejo, ainda és ladrão
A ti, canalha, os diabos salvarão
Só por ter no verso o apogeu

Fazes do infortúnio teu ofício
Somos servos deste mesmo vício
Mas tu és mais poeta do que eu

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)