terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Cabrocha

Arte por Ralph Burke Tyree

Eu, devoto atroz de sua nudeza
Ser doentio que em chamas arde
À boceta, vou tecendo, sem alarde
Um poema só afeito à natureza

Versos ímpios, carregados de rudeza
Jus não fazem à flor bela que se abre
Oh cabrocha, o teu inferno que me guarde
Dos delírios que disponho sobre a mesa

Se ao menos te mostrasses uma vez
Não riria o povo de minha loucura
Para eles és fruto da insensatez

Só a mim desvela-se, magia pura
Aproveita-te da minha embriaguez
Quando vou gozar enfim, cessa a leitura

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)