sábado, 2 de fevereiro de 2019

In Memoriam


Para Doris, o maior Poeta do Centro

Nobre amigo que partiu desta modorra
In memoriam, eis os versos que bebemos
Da mesma vida amorfa, ambos descremos
Do mal que te levou talvez eu morra

Dos bardos marginais que conhecemos
Tu foste o mais fiel, levaste à forra
Fumais, bebeis, gozando toda porra
Na cara social de quem riremos

Cá sigo pelas ruas que cruzavas
A ir e vir em denso pensamento
Não sobra sombra ao chão, já nada presta

Eu paro pelos bares em que andavas
E logo vem algum contentamento
Beber em tua memória é o que nos resta

Ruínas


Arte por: Fabian Perez

Carrego nesta caixa vil e imunda
Um órgão que é mordaz ao que ainda vive
Sangrento em todo amor que um dia tive
De angústia outra vez ele se inunda

Do ópio bebe vário em seu declive
Sua dor engole ácida e fecunda
Mortífero, ama a nobre e a vagabunda
E bate a mil, demônio, sejais livre

Contudo, o mesmo tempo que ora fere
Caiando as crinas sem dar afeição
Ferino não será em toda a estrada

Após os temporais ele confere
Ao velho bardo uma nova paixão
E a musa do porvir será inventada