Eu,
feito um coveiro triste e só
Vagando
a esmo pelas catacumbas
O mal cortejo e quiçá, sim, sucumba
Antes
do tempo revolver-me ao pó
Fedo,
hediondo, pareço um corumba
Que
a estrada longa despejou sem dó
Inábil
ser, não tenho nada em pró
De
ser alguém, depois voltar à tumba
Um
desgraçado que a palavra atenta
Só
dela cuida, sem cuidar de si
Aos
outros fere quando se arrebenta
Não
fosse os versos para estar aqui
Nada
traria à vida modorrenta
Nem sou poeta se ainda não morri


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)