Da observação citadina como método de espera:
Arte: Gerald Harvey Jones
Cai oblíqua feito afago na vidraça
Sob as calhas, deita e corre, decidida
Paira a urbe, qual semáforo da vida
Quem se atreve a escorrer onde ela passa?
Um e outro, impacientes, tomam prumo
Outros mais, desalinhados, inda esperam
E as conversas sobre ela proliferam
Tudo enquanto a zombeteira dita o rumo
Os que a guardam, coloridos, vêm surgindo
Vão compondo um só mosaico pela rua
Desavindo a pasmaceira dos telhados
A vida torna para enxutos e molhados
E ela vai cair adiante, linda e nua
Eu a guardo no poema e já vou indo





