Pierre Bonnard, O espelho, óleo sobre tela
Adentra
este bordel, dama venusta
Palavra
se insinua ao meu versejo
Grafar
tua letra nua é meu desejo
E
o seu ambos veremos quanto custa
Só
cobro a longo prazo, aguardo o ensejo
Sou
bardo fracassado, oh vida injusta!
Ter
zelo em demasia é senda angusta
Só
passa quem domina o seu manejo
Um
verso sobre outro vou tecendo
Tuas
vestes vão caindo, uma a uma
Eu,
débil, por delírio estou morrendo
Já
avisto a silhueta em meio à bruma
O
tempo me consome e vai crescendo
O
falo com que escrevo se avoluma


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)