sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O Espelho

Pierre Bonnard, O espelho, óleo sobre tela

Adentra este bordel, dama venusta
Palavra se insinua ao meu versejo
Grafar tua letra nua é meu desejo
E o seu ambos veremos quanto custa

Só cobro a longo prazo, aguardo o ensejo
Sou bardo fracassado, oh vida injusta!
Ter zelo em demasia é senda angusta
Só passa quem domina o seu manejo

Um verso sobre outro vou tecendo
Tuas vestes vão caindo, uma a uma
Eu, débil, por delírio estou morrendo

Já avisto a silhueta em meio à bruma
O tempo me consome e vai crescendo
O falo com que escrevo se avoluma

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)