segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Auparishtaka 9

Fonte da imagem: Pinterest

Palavra, bela flor e astuta, lúbrica senhora
Empurra minha cabeça e expele grave o seu gemido
Devoto ao mesocarpo e afeito, já estou perdido
Escravo dos crimes que invento antes de ir embora

Dos lábios tropicais um sumo escorre decidido
Encharca a minha boca ávida de aqui e agora
Eu chupo a doce polpa e sinto que a vida aflora
A cada vez que a língua rija acata o seu pedido

Não há pudor, razão, moral para quem sente o gosto
dos frutos que a estação laureia quem de afetos vive
Prazeres dos sentidos vastos que afloram fatais

Queria inda outra vez mirar aquele fruto exposto
Subir mais uma vez na árvore que um dia eu tive
E lá morrer de amores tolos que só são carnais!

Auparishtaka 6

Fonte da imagem: Pinterest

No balouço desvairado, hora tardia
Com volúpia, sem pudor nem testemunha
Com a mão fizera o crime que eu propunha
E a língua de prazer o membro enchia

Em voz baixa eu lhe botava toda alcunha
O meu verso depravado a puta lia
Meu poema em sua boca resistia
E às tentações do gozo se opunha

Não perdura a luta contra a natureza
Foi despejo do esporrar na boca rubra
Deu um urro o pobre bicho saciado

Vendo a lua na janela, ó vil beleza
No preço de tal loucura ela lucubra
E amanhã viajará do mesmo lado