quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Rizoma

Ao poeta Luis Estrela de Matos

Nobre companheiro de baldões
Quem nesta cidade nos percebe?
Não há tez burguesa, nem na plebe
Capaz de sentir-nos dos porões

Doutos subsolos tu concebes
Quando escreves versos sem grilhões
Eu, na forma, sei forjar prisões
Mas são cercas vivas como sebes

De modo distinto cada qual
Vai compondo a teia ensimesmada
Em redor do gosto habitual

Seja dia claro ou madrugada
Padecemos nós do mesmo mal
Este ofício é vário, tudo e nada!

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)