Padeço de delírios à surdina
Que o meu verso morteiro e sujismundo
Não tem vigor, não passa de um resmungo
Há um coro dos contentes noutra esquina
Aqui só tem maldito e vira-mundo
Um velho bebe e cospe na calçada
Um moço conta moedas, tez suada
Labora, mas lhe chamam vagabundo
A mosca torna e pousa feito esfinge
Do meu copo propõe mais um enigma:
“Se farto é o que ladeia, qual a margem?”
Respondo “Oh nobre mosca, isso é bobagem”
Dou gole e lhe proponho ver o estigma:
“Quão denso é o nevoeiro sem caligem?”


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)