terça-feira, 24 de outubro de 2017

Chuva

Da observação citadina como método de espera:
Arte: Gerald Harvey Jones

Cai oblíqua feito afago na vidraça
Sob as calhas, deita e corre, decidida
Paira a urbe, qual semáforo da vida
Quem se atreve a escorrer onde ela passa?

Um e outro, impacientes, tomam prumo
Outros mais, desalinhados, inda esperam
E as conversas sobre ela proliferam
Tudo enquanto a zombeteira dita o rumo

Os que a guardam, coloridos, vêm surgindo
Vão compondo um só mosaico pela rua
Desavindo a pasmaceira dos telhados

A vida torna para enxutos e molhados
E ela vai cair adiante, linda e nua
Eu a guardo no poema e já vou indo

2 comentários:

  1. Sempre anseio a próxima chuva
    Banhar-se nela é viver
    E, se deixar não viver
    É morrer a cada dia

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    Respostas
    1. Oh, não morder, sentir e viver.
      Mel, mel-misfantasias.blogspot.com

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)