quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Samba
Vicente, ó desgraçado, quedai na mesma esquina
Sem palco, nem aplauso, seu verso é só desterro
Lhe oferto um gole amargo, faz conta dos seus erros
Mas não te vás, Vicente, o verso é tua sina
Te aprumas lá no morro, escreves com aferro
E quando vir ao centro, traz versos na surdina
Cá estou despindo o tempo – Há cousa mais sovina?
Poetas matam tempo, mas não se quer o enterro
No teu, rirei, Vicente; tua rija morbidez
O teu sorriso ao canto da boca emudecida
Caçoa a minha existência, por ter roubado a vez
Se morre e sê Poeta; Eu cá funesto em vida
Mas não bebo sozinho, partilho a embriaguez
Humberto me conforta da tua despedida!
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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)