segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Desventura

Mikael Kihlmanm, Walking in Tornala, drypoint, 10x8 cm, 1999.

Palavra, já não ris mais em meu colo
Nem andas a vagar por sujas ruas
Eu só, ando a cismar das causas tuas
Sou bardo, o mais piegas deste solo

Vagueio as madrugadas sob a lua
Te busco no etilismo, sou um tolo
Entre um e outro cigarro, meu consolo:
Lembrar-me a sua alvura inteira nua

Vês bem o que fizeste deste vate
Já rimo o mal comum, feito um mancebo
Mas eu não tenho glória nem quilate

Por meu verso funesto não recebo
Aplauso, prêmio, encômio ou disparate
Ninguém sabe de nós, só eu concebo

Um comentário:

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)