A espera é um caso oblíquo, um débil
blues de esquina enluarada
blues de esquina enluarada
come a carne, desalmada
bebe a alma e a torna flébil
A espera é um desatino, louco
A espera é um desatino, louco
faz da lira um crime impune
tem no bardo um fosco lume
desvelando um canto mouco
A espera é um cigarro, atroz
que a demora em brasa ateia
irreversível sobre nós
A espera tece a morte, alheia
Tu, palavra, és meu algoz
Eu – entregue – cedo à teia


Esperar, a vida é una espera, esperar o melhor.
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