quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Espera


A espera é um caso oblíquo, um débil
blues de esquina enluarada 
come a carne, desalmada 
bebe a alma e a torna flébil

A espera é um desatino, louco
faz da lira um crime impune
tem no bardo um fosco lume
desvelando um canto mouco

A espera é um cigarro, atroz
que a demora em brasa ateia
irreversível sobre nós

A espera tece a morte, alheia
Tu, palavra, és meu algoz
Eu – entregue – cedo à teia

Um comentário:

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)