Ilustração: Milo Manara
Gozaste os meus escritos, ó devassa
Puseste o seio à mostra, a carne à seiva
Foste fecunda gleba, opima leiva
Mas teu soez lobrego já não grassa
Abraso o teu instinto, ó bruta fera
Com meu pulso voraz como tua vulva
Após premido o vinco, a língua fulva
Latejo ao vil rebento ela prouvera
Atiras-te ao abismo, ó imprudente
Olvidas que é um delito a poesia
E o réu, mesmo confesso, ainda mente
Arguto, quis forjar uma atresia
Mas não posso safar-me impunemente
O solfejo dos teus ais me denuncia


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)