Ilustração: Milo Manara
Maldito, só
por ti me acaricio
Ao ler devasso
verso que me cobre
Me deito nua e
infame em tuas odes
E ouço ao pé
do ouvido o teu cicio
Tua pena em
riste dá-me um arrepio
Percorre o
corpo inteiro a tua lira
Me entrego com
verdade à tua mentira
De quatro,
feito um animal no cio
Arquejo e
dou-me à pena que penetra
Em minha flor
lasciva e expele o fel
Preciso, nosso
crime se perpetra
Tornas-te, ao
teu ofício, enfim fiel
Provou mel da
palavra e foi poeta
Ordeno que me
tires do papel
Por Teresa.


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)