Castanhos são teus olhos, teu pudor
Oblíquos, testemunham veleidades
Meu pulso, sem rubor, mata a saudade
E a despe, escrita e crua, sem temor
Fartos são teus cabelos, vil meneio
Tentando esconder tua rúbea boca
Que geme, morde, grita feito louca
Aos golpes que desfiro no teu meio
Cruel é tua moldura, um quadro alheio
Adorno pendurado na parede
Memória do futuro que não veio
Feraz é minha dor, ó povo, vede
Sou bardo, cismo à lua e devaneio
Libar seus pigmentos, tenho sede


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)