"Não é ofício de poeta narrar o que realmente acontece; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível, verossímil e necessariamente." (ARISTÓTELES. Poética. 1951. p. 36).
[Autor desconhecido]
Fogo fátuo, no calor das coxas negras
Teu deleite, minha perpétua perdição
Ao Poeta, sua Palavra é condição
inelutável, confinado às suas regras
Se debate, forja cores e outras formas
Pobre ente, faz da vida imitação
Conta amores, lealdade e traição
Canta o povo, seus pecados, suas normas
Cobre a vida de um olhar airoso e vil
Que robora o quão mendaz é seu ofício
Colhe tento na verdade mais sutil
Invisível, sua obra é um desperdício
Do seu tempo e do tempo a quem mentiu
Só se salvam, ambos torpes, pelo vício


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)