sábado, 23 de abril de 2016

Taberna

Ao Bar do Dedé.

Tugúrio de vadios e operários
Covil de ilusões, as mais perdidas
No hausto amargo em que se abranda a vida
No sorvo álgido em meio aos brindes vários

És tu o findo lar dos perdulários
Igual desvão dos que mal têm comida
Ateiam, todos, chamas carcomidas
Que têm a embriaguez por corolário

Paragem dos feitios os mais diversos
Sem pompa, sem frescura, nem vestíbulo
Se bebe e pensa o mundo da calçada

E o teu leal freguês que tece uns versos
Não há de pleitear outro latíbulo
Ao termo da existência bem gozada

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)