domingo, 24 de maio de 2020

Esfacelo

Arte por: Emerico Tóth (1970)

Oh Musa encarna esta minh’alma flébil
Fatal endosso do meu corpo em flamas
Nos teus ais ouço as rutilantes chamas
Ateando fogo neste bardo débil

Entre as conversas voltamos às camas
Apalpo a fruta do teu corpo hábil
Da polpa escorre um sumo visgo e lábil
Devoto eu bebo o mel que tu derramas

Já amo e escrevo este amor no poema
Vate perdido – já não há mais jeito
Nem salvação. Vejais o meu dilema:

Quando escrevia ignorava o peito
Agora o rasgo. Prevejo um calema
Rebenta a onda que me leva ao leito

Um comentário:

  1. Poema em que ruboriza o fatalismo de um amor sem barreiras.
    Saudações bárdicas.
    Juvenal Nunes

    ResponderExcluir

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)