domingo, 24 de maio de 2020

Ausência

Arte por: @tycheriee

Sinto estertores pela ausência tua
Sem harmonia nesta casa eu vago
Dum lado ao outro, há dias sem afago
Nas noites frias me confesso à lua

Estes meus versos tornam feito trago
Que sorvo eu na esquina da rua
Uma vez bardo que a vida tatua
Na carne triste este gosto amargo

O que fazer se já provei o sumo
Viciei no cheiro, feito um bicho entregue
Que não consegue retomar o prumo

Ainda que sóbrio tente eu fingir ou negue
A dor no peito que me faz sem rumo
A tua lembrança fausta me persegue

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)