segunda-feira, 14 de maio de 2018

Plenilúnio

Fausto Zonaro (1854 - 1929), Moonlight


Musa de Juno, orbe que vagueia
Sob céu vasto, faz de mim vassalo
Contemplo ébrio, trago-lhe um regalo
Buquê de versos soltos que ela enleia

Sidérea beldade, devoto eu propalo
o esplendor voraz com que ela alteia
E no vazio do meu viver a lua cheia
cobre de júbilo a pua do meu talo

Celeste gozo de profundas seivas
Rouba de mim as horas diuturnas
Absorto, escrevo desejando a noite

Rude campônio cultivando as leivas
Não há quietude nas horas soturnas
Cada golpe do ponteiro é um açoite

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)