sexta-feira, 25 de maio de 2018

Concertina


Arte por: Mark Keller

Tu que és dedilhada em palcos cheios
Afeita aos aplausos e holofotes
A dois bardos serve enquanto mote
Mas só um goza dos teus floreios

Pobre, ao outro resta como dote
Torpes versos que faz com enleio
Jaz sem melodia o devaneio
Foi só um arrepio no seu cangote

Nem a todo artista é que a sorte
sorri com malícia, faz vontades
Uns a têm,  outros inventam flores

Deste modo, confundindo a morte
Sabem disfarçar suas vaidades
Vão vivendo o véu dos vis vapores

Um comentário:

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)