segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Auparishtaka 6

Fonte da imagem: Pinterest

No balouço desvairado, hora tardia
Com volúpia, sem pudor nem testemunha
Com a mão fizera o crime que eu propunha
E a língua de prazer o membro enchia

Em voz baixa eu lhe botava toda alcunha
O meu verso depravado a puta lia
Meu poema em sua boca resistia
E às tentações do gozo se opunha

Não perdura a luta contra a natureza
Foi despejo do esporrar na boca rubra
Deu um urro o pobre bicho saciado

Vendo a lua na janela, ó vil beleza
No preço de tal loucura ela lucubra
E amanhã viajará do mesmo lado

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)