segunda-feira, 9 de julho de 2018

Vergel II


Arte por: Delphine Cauly (1981)

Musa e “Dona das divinas tetas”
Atiça em mim as horas de vigília
Noturna fuga ao seio da família
Fuga diurna ao coro dos caretas

Eu, sempre alucinado por bocetas
Hoje tenho uma por Musa, à revelia
Na parede do cenário onde relia
Os maus versos que fizera à sua greta

Não gozo, enfermo, pois ela delira
Só para olhá-la enquanto não atua
Momento raro, após ela se vira

Me olha, encena, e embora ainda nua
Já veste a máscara cênica que inspira
meus versos: doidos cães à luz da lua!

Um comentário:

  1. "Mas você me navegou mares tão diversos
    e eu fiquei sem versos, e eu fiquei em vão"

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)