sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mercado


Palavras no balcão e na vitrina
Comércio putrefato deste artigo
De luxo ou popular, jaz sem perigo
Alegra a superfície da latrina

Poetas sem pesar, num fausto abrigo
Permutam bons aplausos por propina
Gracejam, pavoneiam-se na esquina
E brincam de imitar algum mendigo

No fim tomam seus carros, vão embora
Fazer os comerciais da brincadeira
Quem sabe até estampem a revista

E a rua com seus males sempre fora
daqueles que não têm eira nem beira
Desprezo à burguesia oportunista!

Um comentário:

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)