At the window (Fabián Pérez)
Rubiácea esfumaçada da manhã
De orvalho ínfero, sépalas veladas
A cada verso uma pétala arrancada
Desnudo cálice, vil intento o meu afã
Miro-te flor, no cafeeiro, afeita ao solo
Sob céu vasto, um vento urde o teu medrar
Quimeras tórridas no aroma soube dar
Amargo gosto aviva a língua no teu colo
Quisera eu de ti a hora da colheita
Rude campônio, azo ao tempo intento dar
para colher-te à hora tenra em que te deitas
Quando maduras teu eflúvio invade o ar
Vapores mádidos – de que só há suspeitas –
vestem tuas folhas. Torno à leira laborar


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)