A Humberto Paixão, último leitor
Fenecer, ei-lo verbo inelutável
Morosa injunção que a vida imputa
Olhai no escaparate, já sem luta
Jaz o órgão devotado a ser afável
Melúria lastimosa o teu conjuro
Roguei que minha sina fosse tua
Mui pouco há de valer queixar-te à lua
Maldito és teu fadário, ó ser impuro
Quiseras teu olhar junto à lareira
Perene, ameno, morno, complacente
Olvidas que adentro a flama beira
E o lume que lhe apraz não é silente
Ruidoso e hirto silvo a noite inteira
Haurido da palavra à qual tu mentes


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