Cuidai melhor dos versos, ó bardo
afoito
Vontade é feito adorno e nunca
sacia
Vejais “O céu rasgado em
desvairada orgia”
Puseste no papel e nem tinhas
vinte e oito
O mastro içando a vela era como um
açoito
Batel em mar revolto, o breu da
noite abria
Tolo, te rendias à musa que
fingia
Singrar ao lado teu, terminado o
coito
Não esqueças: a palavra esmorece ainda
quente
Tantálica, famélica, eis mortal
beleza
Tão fugidia é, quanto mais for latente
Ó bardo ensimesmado, resta a
natureza
Anômalo e belo coração de doente
Quisera versejar melhor tua
tristeza
Arte: Canteiros, Aquarela sobre Canson A3, por RAFAEL DOUGLAS


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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)