Íncola da Rua
dos Sonhos, negro Orfeu
tirastes,
sóbrio, das palavras beluínas
o mesmo mel que,
por ébrias esquinas,
há tempos, já alquebrados,
bebo eu
Na conta dos
anos, este sal nas crinas
a vida, como um
laurel, me concedeu
e só. Reside nestas
marcas o apogeu:
despir sobre o papel estrelas bailarinas
Os astros são
carnais e pulsam co’a força motriz
do verso que é
metal fundido na incompletude
de bardo que,
inda sangrando, enfeita a cicatriz
E vós, que ao Hades trazeis lira e afanai virtude
das ninfas.
Sabeis que *"Todo boêmio é feliz
porque quanto mais é triste tanto mais se ilude!"
*Trecho adaptado de Me dá a penúltima (Aldir Blanc/João Bosco)

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)