A Rafael de Oliveira, Poeta do Corpo
Teus versos síncronosHorizontalmente calculados
Como se, num mesmo poente,
Cessassem em fileira lado a lado
E olhassem-nos, cúmplices
Pelo derradeiro desejo atendido
Das veias pela pena injetadas
E o alívio semântico prometido
Têm destarte no soneto o seu jazigo
Que a demência os receba em seu abrigo
Que o húmus absorva-os com clemência
Que a verdade da poesia os devore
E sobre o epitáfio, inconformada, a prosa chore
“Sois versos, fazeis da assonância vossa ciência”


Não sei, em verdade, se posso ceder ao meu ego o prazer de deleitar-se diante de tamanha profundidade semântica uma vez que não a mim, mas aos meus versos, estes versos elogiam. Recolho-me a ollhar dum canto a minha poesia e a sua entreolhando-se regojizadas pelo prazer poético que lhes compete e do qual somos servos e não senhores...
ResponderExcluir"E os que lêem o que escreve,
ResponderExcluirNa dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm."
Fernando Pessoa
Ana