quarta-feira, 5 de abril de 2017

Desdita

Por que tu negas tanto as diabruras
Que os meus apelos vis propõem cumprir?
Nos priva do regalo enfim sentir
Não vês que somos débeis criaturas

Adias sem piedade o mau porvir
Por que tu, nega? Há tantas criaturas
Elejo a bela dama por lisura
Mas ela sempre há de renuir

Eu quedo, sou mamífero enjeitado
O bar é meu tugúrio mais profundo
Só bebo com fantasmas do meu lado

Infausto ofício e mau, porém fecundo
Palavras vão erguendo o vão legado
Sou só, sou escritor, sou vagabundo

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)