sábado, 21 de maio de 2016

Sina

Fotografia: Helmut Newton

Ateia, sem piedade, a tua chama
Ao meu enfermo carpo já confesso
Segreda estas metáforas, te peço
As cubra com lençóis da tua cama

Que ao teu olhar meu pulso se incinera
E risca de bom grado este luzeiro
Dos fachos, mais custoso é o primeiro
O lume que o segue prolifera

Mas hás de me remir, tu és ledora
E levas junto ao pomo uma ode
Aos pulcros lábios de ave canora

Porém, é de outros voos mais incodes
Que falo do teu estro, ó predadora
Sabeis por ser poeta, só se fode!

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)