sábado, 21 de maio de 2016

Noturna

Palavra que atormenta meu bordejo
Tardia e contemplada de distâncias
Senhora dos meus ais, das minhas ânsias
Teu colo é o sonho báquico do ansejo

À tarde, um lábio infame inda cerrado
Que orvalha sob o verso que o tateia
Se abrindo engole o pulha que vagueia
E faz do céu da boca um constelado


O pulha, ali cismando, se entorpece
Da chona que vedou sem pena o dia
Cobrindo de caligem sua prece

E antes que lhe cubra em cinesia
Um só facho conspícuo inda esmorece
Cortinas de um teatro, eis a poesia

5 comentários:

  1. Deixe a cortina aberta para que possa ver o outro lado... Tentar-se, abrir e deixar o vento entrar...Ele sim sabe para onde te levar.

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  2. Sabe o que a gente pode fazer com isso? Chapar... Né pra isso que servem os vicios?
    A gente chapa e foge!
    um beijo

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  3. Quem descreve não é dono do assunto. Quem inventa é.

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  4. "Mas você me navegou mares tão diversos
    e eu fiquei sem versos, e eu fiquei em vão"

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)