segunda-feira, 23 de maio de 2016

Fissura

Fotografia: Lia Leão

Fitei nas níveas folhas um sinal
A sina de que és igual perdida
Ateias também chamas carcomidas
Me chamas à tua teia sepulcral

Aflora d’alva pele uma cissura
E rogas nua escrita num bordel
O ato se consuma no papel
Dilato em tua ancha curvatura

Rendido ao teu meão, mísero vate
Só pôde versejar à tua greta
Envolto na armadilha se debate

Devia ter cautela à tua falseta
Mas só sei confissões, não sou de esbate
Senhora, o meu parnaso é tua boceta

Um comentário:

  1. Lembrou o desbocado e putanheiro Manuel Maria du Bocage!

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"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)