segunda-feira, 11 de abril de 2016

Palinódia

"No te salves ahora. Ni nunca"
(Benedetti).
Marmol Negro (Fabián Pérez)

Pobre e infausto andejo, flana doidivanas
Fiando na prosa espúrias remissões
Confessai perjúrios, abjurações
Conquanto desposa palavras levianas

Fez da forma um leito, ardiloso vate
Estirando a carne que mentiu celeste
E semeia a gleba, ara, roça, investe
Sob o vasto páramo, molesta e esbate

Cai despida a pécora, em catorze estrados
Ao coimar da pluma proferiu vagidos
E gozou de algia os versos hachurados

Mira o bardo lasso, os ditos erigidos
Fita a sacra tríade feita de esporrados
Há de lhe indultar os sobejos impingidos

2 comentários:

"Respeitar o trabalho do outro consiste justamente em submetê-lo à crítica mais rigorosa" (José Borges Neto)